A otite é uma das causas mais comuns de dor de ouvido e pode surgir em qualquer idade, sendo especialmente frequente nas crianças. Otite é o nome dado à inflamação ou infecção do ouvido, e existem tipos diferentes que exigem cuidados distintos. Entender se o problema está no canal externo ou no ouvido médio ajuda o otorrino a escolher o tratamento certo e a aliviar o desconforto com segurança.
O que é a otite
Otite é o termo médico para a inflamação do ouvido. Ela pode acometer diferentes partes da orelha, e por isso falamos em tipos distintos. Os dois mais comuns são a otite externa, que afeta o canal auditivo (a parte que vai da entrada do ouvido até o tímpano), e a otite média, que atinge o espaço atrás do tímpano, chamado de ouvido médio. Embora ambas provoquem dor, as causas, os sintomas e o tratamento não são iguais.
A otite externa é popularmente conhecida como "ouvido de piscina", porque a umidade que fica no canal auditivo favorece o crescimento de bactérias e fungos. Já a otite média costuma aparecer depois de resfriados e quadros de nariz entupido, quando a secreção e a inflamação atrapalham a ventilação natural do ouvido.
Otite externa x otite média: entenda a diferença
Saber diferenciar os dois tipos ajuda a compreender por que os sintomas variam tanto de uma pessoa para outra.
- Otite externa (ouvido de piscina): a dor costuma piorar quando se puxa a orelha ou se pressiona a entrada do ouvido. Está ligada ao contato frequente com água, ao uso de hastes flexíveis (cotonetes) e a pequenas lesões no canal auditivo. Pode haver coceira, sensação de ouvido tampado e saída de secreção.
- Otite média: a dor é mais profunda e latejante, muitas vezes acompanhada de febre e de sensação de pressão. É comum surgir junto ou logo após um resfriado, uma sinusite ou episódios de rinite alérgica, quando o nariz e a garganta estão congestionados.
Sintomas mais comuns
Os sinais variam conforme o tipo e a intensidade da inflamação, mas alguns sintomas aparecem com frequência:
- Dor de ouvido, que pode ser leve ou intensa;
- Sensação de ouvido tampado ou abafado;
- Queda temporária da audição no ouvido afetado;
- Febre, sobretudo nas otites médias;
- Secreção saindo pelo ouvido, que pode indicar rompimento do tímpano ou infecção do canal;
- Coceira, no caso da otite externa;
- Irritabilidade, choro e dificuldade para dormir nas crianças pequenas.
A perda de audição durante a crise geralmente é passageira, mas otites de repetição podem, com o tempo, comprometer a audição. Se você percebe que a audição não voltou ao normal após o quadro, vale investigar uma possível perda auditiva.
Causas e fatores que aumentam o risco
Diversos fatores podem favorecer o aparecimento da otite. Entre os mais importantes estão:
- Resfriados e infecções respiratórias frequentes;
- Congestão nasal persistente, que prejudica a ventilação do ouvido;
- Contato prolongado com água em piscinas, mar ou banho;
- Uso de cotonetes e outros objetos dentro do ouvido;
- Alergias respiratórias mal controladas;
- Nas crianças, o aumento das amígdalas e adenoide, que dificulta a drenagem do ouvido.
Otite na criança: por que é tão comum
A otite média é muito frequente na infância porque a tuba auditiva, o canal que liga o ouvido à parte de trás do nariz, é mais curta e horizontal nos pequenos. Isso facilita a passagem de secreções e micro-organismos do nariz para o ouvido. Crianças que respiram muito pela boca, roncam ou têm resfriados repetidos merecem atenção especial.
Nas crianças que ainda não falam, os sinais podem ser indiretos: choro sem causa aparente, ato de levar a mão à orelha, febre, dificuldade para mamar e noites mal dormidas. Otites de repetição podem afetar temporariamente a audição em uma fase importante do desenvolvimento da fala, por isso não devem ser ignoradas.
Nem toda dor de ouvido é infecção que precisa de antibiótico, e nem toda otite melhora sozinha. A avaliação do otorrino define o tipo de otite e o tratamento mais adequado para cada caso, evitando tanto o uso desnecessário de medicamentos quanto o risco de complicações.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da otite é essencialmente clínico. Na consulta, o otorrinolaringologista examina o ouvido com um aparelho chamado otoscópio, que permite visualizar o canal auditivo e o tímpano. Assim é possível identificar sinais de inflamação, presença de secreção, alterações no tímpano e diferenciar a otite externa da média.
Em quadros de repetição ou quando há suspeita de perda auditiva, o médico pode solicitar exames complementares de audição. A avaliação também considera o histórico do paciente, a presença de sintomas nasais e, nas crianças, a frequência dos episódios.
Tratamento da otite
O tratamento depende do tipo de otite, da causa e da intensidade dos sintomas. De forma geral, os cuidados podem incluir:
- Medicamentos para aliviar a dor e a febre;
- Gotas otológicas específicas, sobretudo na otite externa;
- Antibióticos apenas quando há indicação médica clara, e não em todos os casos;
- Limpeza cuidadosa do canal auditivo, realizada pelo profissional;
- Tratamento das causas associadas, como rinite, sinusite ou obstrução nasal.
É importante evitar a automedicação, pingar produtos caseiros no ouvido e introduzir objetos no canal auditivo, pois essas atitudes podem piorar o quadro. O uso de qualquer medicação deve ser sempre orientado por um médico, já que o tratamento é individualizado. Manter o ouvido seco durante a recuperação e tratar corretamente as alergias e infecções respiratórias ajuda a prevenir novos episódios.
Quando procurar o otorrino
Procure avaliação especializada quando a dor de ouvido for intensa, durar mais de um ou dois dias, vier acompanhada de febre alta, secreção ou queda persistente da audição. Nas crianças, episódios repetidos merecem investigação, assim como qualquer dor de ouvido em bebês. O otorrino é o especialista indicado para diagnosticar a otite, tratar a causa e orientar como prevenir recaídas, cuidando da sua audição a longo prazo.